{"id":80,"date":"2015-03-30T23:35:00","date_gmt":"2015-03-30T23:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/novo.not-wolf.com\/index.php\/2015\/03\/30\/2015-12-8-timeless\/"},"modified":"2020-07-03T18:50:38","modified_gmt":"2020-07-03T18:50:38","slug":"2015-12-8-timeless","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/not-wolf.com\/index.php\/2015\/03\/30\/2015-12-8-timeless\/","title":{"rendered":"Timeless"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_column_text]<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/static1.squarespace.com\/static\/55662880e4b0189df87629d2\/55662a3ce4b0dfde3b4e8a5f\/5666e0accbced644c8a8a207\/1449582765293\/\/img.jpg\" alt=\"\" \/>Texto de apresenta\u00e7\u00e3o para a exposi\u00e7\u00e3o de Philippe Pasqua no Pal\u00e1cio Nacional da Ajuda que nunca existiu.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio Nacional da Ajuda recebe Philippe Pasqua para uma exposi\u00e7\u00e3o de arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Timeless<\/strong>\u201d \u00e9 o nome deste encontro de vanguardas do s\u00e9culo XIX e XXI.<\/p>\n<p>Philippe Pasqua \u00e9 um vulto maior nas cordilheiras da arte de hoje.<\/p>\n<p>Franc\u00eas de origem, fez-se artista pl\u00e1stico auto-didacta desde a maioridade. Cerca de trinta anos passados, \u00e9 uma montanha movedi\u00e7a entre continentes, grande como a escala das obras que produz e exp\u00f5e.<\/p>\n<p>Integra-se na tradi\u00e7\u00e3o da pintura e escultura figurativas embora represente emo\u00e7\u00f5es evocadas pelo modelo e por ele mesmo, \u00e0 procura da vida, do acidente e da magia. Se alguma coisa se v\u00ea da morte \u00e9 puro exorcismo. Todo o seu amor pela pintura deve-se \u00e0 paix\u00e3o incondicional pela vida. No limite, dir-se-ia que a sua obra \u00e9 um intermin\u00e1vel auto-retrato, do presente cont\u00ednuo do artista, tomando sentido al\u00e9m da pele e at\u00e9 ao osso.<\/p>\n<p>Encara rostos e corpos com uma viol\u00eancia sens\u00edvel, avan\u00e7ando e recuando em rela\u00e7\u00e3o aos gigantes de tela, trepando escadotes at\u00e9 aos topo das figuras, saltando de um humano ao outro, seja ele carne ou esqueleto. As imagens surgem en\u00e9rgicas em camadas intuitivas, perfilando os retratados enquanto monumentos \u00e0 vida, uma que se constr\u00f3i organicamente \u00e0 medida que a mat\u00e9ria se acumula, nas aproxima\u00e7\u00f5es e recuos da abstrac\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa concreta.<\/p>\n<p>Cegos, portadores de trissomia 21, transexuais, amputados, prostitutas ou pessoas comuns s\u00e3o celebra\u00e7\u00f5es de beleza urgente de que Pasqua \u00e9 anfitri\u00e3o. Olham-nos de cima com a dignidade dos deuses e da vida eterna.<\/p>\n<p>Todos os modelos s\u00e3o guardados em instant\u00e2neos que lhe servem de mapa \u00e0s investidas armadas de tinta. Todos eles s\u00e3o carne revoltada a cada pincelada furtiva, volumes rasgados no branco a comparecerem invariavelmente no s\u00edtio exacto. Se h\u00e1 escorrimentos do acaso s\u00e3o prova da demanda pelo incontrol\u00e1vel, de uma pintura sem arrependimento ou medo.<\/p>\n<p>A convuls\u00e3o dos corpos, entre as cores de vida e de morte, f\u00e1-lo vizinho hist\u00f3rico de Francis Bacon,\u00a0 Lucien Freud ou Egon Schiele, embora seja de Jenny Saville que se diz mais chegado.<\/p>\n<p>Carros cobertos de pele e tatuados s\u00e3o mais uma forma de continuidade do trabalho em torno do corpo.<\/p>\n<p>A exalta\u00e7\u00e3o do presente desta <em>vita brevis <\/em>demonstra-se igualmente<em>\u00a0<\/em>nas borboletas em bando, ora livres sobre a tela, ora pousadas sobre cr\u00e2nios \u2014 sejam verdadeiros, coleccionados e alterados por Pasqua, sejam nos que esculpe em dimens\u00f5es colossais.<\/p>\n<p>Os animais \u2014 de estima\u00e7\u00e3o, extintos ou mitol\u00f3gicos \u2014 juntam-se \u00e0 constela\u00e7\u00e3o de estrelas cadentes de Philippe. H\u00e1 tamb\u00e9m incurs\u00f5es escult\u00f3ricas na bot\u00e2nica, com desmesura e transformismo material, frequentemente met\u00e1licas para que nos reflictam e ganhem as caracter\u00edsticas do ambiente em que s\u00e3o implantadas.<\/p>\n<p>Sol, natureza e sossego foi o que procurou ao mudar-se para a Malveira da Serra. Tomou Paris, Nova Iorque e agora Sintra. Rodeado de \u00e1rvores e sob camuflagem, construiu um enorme atelier, espa\u00e7o integrante da sua obra que alberga a conversa\u00e7\u00e3o permanente entre o artista, a cria\u00e7\u00e3o e o mundo exterior.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio Nacional da Ajuda convoca \u00e0s suas salas o universo de Philippe Pasqua.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o adv\u00e9m do paralelismo entre o vanguardismo de D. Maria Pia, da sua sede de novidade e inclina\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, e essa mesma alegria de viver que encontramos em Philippe.<\/p>\n<p>A rainha, para l\u00e1 da mais bem vestida da Europa, era uma ex\u00edmia negociante internacional e m\u00e3e extremosa. No sangue corria-lhe a magia da vida identificada no bom gosto e nas ac\u00e7\u00f5es, testemunhados pelas suas escolhas decorativas, pelas not\u00e1veis festas que organizava, pela generosidade que votava aos mais desfavorecidos.<\/p>\n<p>Os sal\u00f5es da Ajuda, sa\u00eddos dos cat\u00e1logos do que melhor se produzia nas tend\u00eancias do s\u00e9culo XIX, s\u00e3o o ambiente que acolhe o interessante di\u00e1logo entre o ambiente nost\u00e1lgico de uma contemporaneidade ida e a contemporaneidade vibrante de um dos actuais pr\u00edncipes da arte internacional. Conversam na linguagem da arte, falam-nos da intemporalidade dos que se querem nossos e para sempre.<\/p>\n<p>Tanto D. Maria Pia quanto Philippe Pasqua constar\u00e3o certamente nos relatos escritos da posteridade. O poder das artes sobre a eternidade n\u00e3o poder\u00e1 mais ser-lhes retirado.<\/p>\n<p>Um passeio por \u201c<strong>Timeless<\/strong>\u201d revelar\u00e1 pontes de um s\u00e9culo ao outro. Entre outras pe\u00e7as, encontraremos a m\u00e3o de chumbo de Pasqua pregada a uma base de madeira na Capela. Na Sala de Bilhar, uma crian\u00e7a olha entre dedos os fantasmas que por ali jogam. A Salinha dos C\u00e3es guarda Purdey, o animal de estima\u00e7\u00e3o do artista. A Sala do Despacho \u00e9 vigiada por um cego e na Antec\u00e2mara de ares orientais h\u00e1 um samurai de sentinela. \u00c0 dist\u00e2ncia que vai de D. Jo\u00e3o IV aD. Jo\u00e3o VI corresponde uma \u00faltima ceia e um Lamborghini. As <em>Vanitas<\/em>\u00a0distribuem-se pelo Pal\u00e1cio. Encontrar-se-\u00e3o \u00e1rvores met\u00e1licas, pessoas cristalizadas e um dinossauro.<\/p>\n<p>O conv\u00edvio anacr\u00f3nico entre o melhor de cada uma das \u00e9pocas far-nos-\u00e1 redescobrir o legado da rainha e do artista. \u201c<strong>Timeless<\/strong>\u201d \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o deste esp\u00edrito intemporal que os atravessa com os olhos postos na eternidade.<\/p>\n<p><a href=\"\/litieraire\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/static1.squarespace.com\/static\/55662880e4b0189df87629d2\/55662a3ce4b0dfde3b4e8a5f\/5666e145cbced644c8a8a757\/1449582917902\/\/img.png\" alt=\"\" \/><\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column_inner][\/vc_row_inner][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_row_inner][vc_column_inner][vc_column_text]Texto de apresenta\u00e7\u00e3o para a exposi\u00e7\u00e3o de Philippe Pasqua no Pal\u00e1cio Nacional da Ajuda que nunca existiu. 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